Brasil de Farroupilha

História

O Gigante das Castanheiras

A história do nascimento do Brasil passa pela necessidade de atrações esportivas e mesmo de recreação na Farroupilha do final da década de 30. Enquanto o mundo ainda fervilhava politicamente, recuperando-se da primeira grande guerra e já se preparando para a segunda, na fria serra gaúcha, a rotina resumia-se a trabalho e compromissos religiosos aos finais de semana. Caminhar e andar a cavalo talvez fossem as principais atividades para as horas de folga.

Paradoxalmente, cidades vizinhas já viviam a realidade do esporte, em especial o futebol. Seguindo os precursores do sul do Estado, os clubes serranos foram surgindo, pouco depois dos que viriam a ser grandes da capital.

Balizados por essa tendência, sentindo o vácuo deixado pelas tardes de domingo ociosas e contaminados pelo vírus da paixão pelo futebol, um grupo de jovens moradores de Farroupilha iniciam as tratativas para a fundação de uma equipe de futebol na cidade.

À época, a Ferrovia era o principal meio de transporte ligando comunidades. Também é intrínseca a ligação de ferroviários e pessoas de sua relação com o futebol. Não foram poucas as equipes que levaram e levam o nome de Ferroviária ou Ferroviário. Atléticos Clubes, Esporte Clubes, Grêmios Esportivos e Sociedades Recreativas eram comuns em cidades cortadas pelas linhas do trem.

Também em Farroupilha, a Ferrovia teria papel determinante na fundação do clube de futebol. O berço do Brasil, sua manjedoura, estaria às margens da ferrovia. A reunião que definiu a criação do Brasil Futebol Clube aconteceu no Armazém da Viação Férrea, a 15 de Janeiro de 1939. Um dos fundadores foi Arlindo Peterse, agente da Viação. Foi ele quem tomou a iniciativa de solicitar e utilizar o local para a Assembléia de fundação do Clube. O Brasil nasceu à beira dos trilhos.

Os Ídolos/Guerreiros do Brasil

O destino também faria com que um dos maiores jogadores do Brasil em termos de qualidade técnica estivesse presente quando da fundação do clube. Aos 13 anos de Idade, Ari Reginato testemunhara, ainda que de forma um tanto coadjuvante, a criação daquele que viria a ser o Gigante das Castanheiras.

Ari foi o sócio-fundador do Brasil que mais tempo permaneceu vivo, acompanhando toda a trajetória das sete décadas de vida do clube, recebendo inclusive as homenagens no jantar de comemoração dos 70 anos do Brasil, em 2009.
           
Foi Ari o primeiro jogador do Brasil a ser negociado com uma equipe de outra cidade. Ainda que por pouco tempo, Ari foi emprestado ao Fluminense, de Caxias do Sul. Seu retorno se deu menos por opção do clube caxiense do que dele próprio, posta sua ligação afetiva com Farroupilha e com o clube do qual foi fundador.

Ari jogava em um tempo em que a dor não era capaz de afastar a vontade de defender as cores de um clube. Não havia chuteiras produzidas comercialmente. As lojas não comercializavam esse artigo, fundamental para a prática do futebol.

As chuteiras de Ari eram construídas sob encomenda, em um sapateiro de Farroupilha. A tecnologia rude impunha a necessidade de fixação de peças de couro com pregos, utilizados em construção civil. As travas também eram pregos retorcidos em “U”, cujas pontas apontavam para a sola dos pés.

Os gramados pesados e a bola dura, aliados ao constante deslocamento, faziam com que as peças de couro das chuteiras se movessem no decorrer da partida. Era inevitável que os pregos perfurassem a base da chuteira. Na maior parte do jogo, Ari recorda que pisava sobre esses pregos. Ao final da partida, os pés ficavam em carne viva. Nada, porém, que fosse suficiente para sequer diminuir o prazer de Ari em defender o rubro-verde farroupilhense.

Foi assim, na base da superação, que os primeiros atletas levavam o Brasil adiante. Foram os próprios jogadores que construíram o Estádio da Baixada Rubra no ano de 1949. Nesse local, o Brasil viveu seus grandes momentos, como a conquista do Estadual de Amadores em 1963.

Décadas depois, o Brasil teria Plein. Melhor jogador do time durante três temporadas, ele chegou a ser Preparador Físico e Técnico do time ao mesmo tempo em que decidia os jogos em campo. Também já vestiram a camiseta do Brasil jogadores de muita técnica e raça como João Carlos, Rodrigo Caetano, “Tchutchi” Barth, Janio, Tite, Dejair, Renato Teixeira e Daltro.

Desde o ano de 2007, o clube passa por uma reformulação gradativa prezando sempre o profissionalismo, sendo reconhecido pela sua credibilidade e fidelidade com seus compromissos. É apontado por muitos como um clube referência em estrutura e gestão.

A casa do Brasil é o Estádio das Castanheiras, remodelado e adequado as exigências do futebol atual, fruto do projeto de gestão que revitalizou o clube desde o final da década passada. E foi essa estrutura que credenciou o clube a postular uma das vagas para Centro de Treinamento na Copa do Mundo de 2014, vistoriada e aprovada pela FIFA, órgão máximo do futebol mundial que colocou o estádio entre os sete postulantes do estado para receber seleções durante a Copa do Mundo de 2014.Em meados de 2015, o Estádio das Castanheiras começou a receber as obras oriundas da verba adquirida junto ao Ministério dos Esportes e com participação da Prefeitura Municipal de Farroupilha, com essa e as demais melhorias promovidas pela Direção do clube durante o biênio 2014/2015 a casa Rubro-verde está cada vez mais bela e confortável para receber seus torcedores.

 

O Brasil de hoje, tem o seu mascote, o Dragão Rubro-Verde que simboliza e transmite a pujança e a bravura de seus fundadores,também tem sua musa e rainha, que assim como a forte ala feminina de décadas passadas ajuda e promove o clube, tem sua torcida organizada que não para de crescer, seu hino, seu site e mídias oficia, e seus bravos voluntários do Movimento Jovem que trabalham em prol do clube.

 

Desde 2014, a SERC BRASIL é comandada por um Comitê Gestor onde todas as decisões são tomadas em conjunto pelos membros.